sexta-feira, 4 de maio de 2012

Queimanda Osso e Casca de Arroz para fazer adubos

Tripé do cano para queimar osso
A partir da capacitação ocorrida em novembro de 2011, sobre Saúde do Solo com Sebastião Pinheiro, aprendemos a pratica da queima do osso com de casca de arroz. Este procedimento é realizado para fazer adubos ricos em fósforo.
Chaminé com os ossos empilhados ao redor
Para fazer farinha de osso e a cinza da casca de arroz, precisa-se de um cano de metal de 1,8 m com um tripé de 20 a 25 cm na base, para permitir a subida do calor e da fumaça. Monta-se o cano (chaminé) com o tripé e inicia-se colocando alguma madeira e palha, após enfileira-se os ossos e assim que pegar fogo coloca-se a palha de arroz por cima dos ossos em chamas.Colocar fogo pelo orifício inferior e deixar queimar. Os ossos com sua gordura natural facilitam esta queima, cuja temperatura chega aos 600 graus Celsius.
Isto deve ser feito a céu aberto e longe de fios, árvores, construções ou caminhos, pois a temperatura liberada chega a mais de dez metros de distância. (Pode ser utilizado no inverno para combater a formação de geadas, neste caso é bom misturar com casca de coco babaçu, que produz muitíssimo calor).  Esta queima deve durar mais de dez horas, para a oxidação total dos ossos, Apatita e Silício.
Casca de arroz jogada por cima dos ossos com fogo.
Geralmente a queima não é completa e os ossos e as cinzas da casca de arroz não ficam bem brancos, sem nada carbono (escuro, azulado), pelo que devemos promover uma moagem dos ossos e cinzas e queimar por segunda vez para obter o pentóxido e trióxido de Fósforo.
A segunda queima é mais sofisticada que a primeira, deve ser feita após a moagem dos ossos e mistura com as cinzas da casca de arroz na proporção de 10 de casca de arroz para um de cinza de ossos ou apatita.   O uso de casca de arroz funciona como catalisador idêntico ao carvão vegetal na siderurgia, e, possibilita a redução da farinha de ossos/apatita a óxidos de Fósforo.
Farinha de osso = osso triturado
Esta requeima pode de forma racional aproveitar a energia da primeira queima de ossos e casca de arroz ou com outro combustível (lenha/carvão mineral).
A partir do processo acima descrito, faz-se a água de vidro e os fosfitos.
Água de vidro é um importante protetor das plantas contra o desenvolvimento de doenças fúngicas e bacterianas por diversas funções mecânicas e imunológicas. Como fazer: casca de arroz queimada. Deixa-se de 4 a 6 dias de molho em água, ou se houver pressa coloca-se de molho em água quente podendo ser utilizada logo após esfriar. A proporção do molho é de 2 por 1, duas partes de água e 1 de cinza. E a porcentagem a utilizar é de 1 a 5% dependendo da necessidade, clima (fazer testes). Cura a vassoura de bruxa do cacau e do cupuaçu. A cinza de arroz tem de 73 a 75% de silicato de potássio, cinza de vulcão. O segredo para ver o ponto da água de vidro é colocando a mão na água, ao retirar e deixar secar por um minuto forma uma camada parecida com açúcar. Água de vidro controla a cigarrinha, engrossa a epiderme das plantas. Dissolve-se de 10 a 20% em água quente ou normal e depois usa-se 1 copo em 20 l. Usa-se foliarmente na planta.
Fosfitos: agem primeiramente para eliciar, ativar, as defesas das plantas.
Osso queimado = fosfato de cálcio. Osso + casca de arroz = fosfato de potássio. Fosfato de potássio + melado, melaço ou coca-cola = fosfito que bloqueia as toxinas que se desenvolvem nas plantas. Coloca-se 2 partes de melaço e 1 parte do osso  queimado e triturado, até formar uma pasta. Esta pasta pode ser guardada por até 2 anos. Utiliza-se esta pasta a 5% via foliar, mas deve-se fazer os testes para ver se dá resultado. Fosfito para alface 200ml para cada bomba de 20 litros.

quarta-feira, 25 de abril de 2012

Capacitação sobre Cromatografia do solo


Em novembro de 2011 estivemos, em Ouro Preto do Oeste numa capacitação sobre Cromatografia e saúde do solo. Cromatografia é “uma análise integral do solo”. É uma análise rápida, fácil e barata, que permite ao agricultor observar e acompanhar o desenvolvimento, a saúde física, química e biológica de seu solo. É a leitura da qualidade de vida do solo.

O Projeto de Agroecologia do Sínodo da Amazônia – PROASA, juntamente com a Emater local, realizou nos dias 20 e 21 de abril em Alto Alegre dos Parecis a primeira etapa do curso de Cromatografia com os agricultores e parceiros da região. O tempo foi curto, mas os resultados foram muito animadores. O grupo pequeno de agricultores permitiu que aproveitássemos melhor o tempo e discutimos cada análise com o grupo e chegamos a diagnósticos impressionantes. Até uma criança de 8 anos participou e no final comentou: “Esta análise nos ajudou a ver melhor nossa terra e agora podemos trabalhar para recuperá-la”.


No próximo dia 15 de maio teremos outro encontro com os agricultores, porém neste dia o tema será Homeopatia na agricultura, que é outra ferramenta de suma importância na agroecologia.

Cromatografia - Saude do solo

O que é a Cromatografia de Solo de Pfeiffer?
É uma “análise de solo integral”, que permite o diagnóstico e acompanha seu tratamen-
to de forma auto-interpretativa (pelo próprio agricultor). Para um agricultor (ou agrônomo) a Análise de Solo indica números, quantos miliequivalentes de determinado mineral ou minerais está em seu solo, qual é seu pH estático e qual a porcentagem de matéria orgânica, conforme os interesses acordados por von Liebig em Göttingen, Alemanha, e seu pupilo J.H Gilbert em Rothamstead, Reino Unido, com finalidade de garantir os interesses no comércio de fertilizantes industriais. Entretanto, estes parâmetros e valores jamais foram indicativos da higidez ou saúde do solo, nem permite prognósticos sobre o que se está fazendo. Eram meros produtos da ciência positiva de interesse industrial transformados em crença, ideologia e resultados. A cromatografia de solos permite de forma rápida, fácil e barata uma leitura pelo próprio agricultor da situação de seu solo através do tempo-espaço da mesma forma que um pai acompanha o crescimento, desenvolvimento, estado de saúde física e mental do filho, com capacidade de intervenção, quando for necessário.
O que se busca, então, em um cromatograma?
Busca-se a leitura da vida, ou melhor, da “qualidade de vida do solo” em determinado momento. Isto
é facilmente visualizado em um cromatograma, através da harmonia de cores e desenhos entre todos
os diferentes componentes (mineral, orgânico, energético, eletromagnético) do solo. Assim é possível saber se um determinado mineral está em harmonia com a matéria orgânica, pH, biodiversidade de microrganismos ou grau de oxidação/redução de enzimas, vitaminas e proteínas e como se pode
alterar positivamente a situação encontrada para alcançar esta meta.
Lembremos que a qualidade de uma Filarmônica não se mede pelo número de violinos, violoncelos clarinetes, flautas, tambores ou pratos que a compõem, mas pela habilidade na execução de cada instrumento em harmonia nos acordes no cumprimento da métrica regida, que é mais importe que o número de instrumentos ou porcentagens. Contudo, na execução musical ou no cromatograma é possível observar os mínimos detalhes e cinética da atividade enzimática específica durante a fermentação ou equilíbrio protêico na formação da matéria orgânica do solo. E isto vai depender do aprendizado de quem o está realizando, o próprio agricultor e sua família... O cromatograma é uma radiografia do solo e planta.
Este método de Cromatografia Circular Plana permite também avaliar a qualidade dos alimentos nele produzidos.
Fonte: Cartilha da Saúde do Solo (Cromatografia de Pfeiffer) pg,27 e 28

quarta-feira, 28 de março de 2012

Manejo Ecológico do Solo e Controle de Pragas e Doenças

Abaixo estão descritas algumas praticas utilizadas na agricultura agroecológica, que podem e devem ser adaptadas e utilizadas em qualquer região do país e do mundo. Ainda há receitas de biofertilizantes, controle das principais pragas citadas pelos agricultores do PROASA.

Cobertura do solo

Os solos da região amazônica não podem ficar descobertos, em primeiro lugar devido a insolação, podendo a temperatura do solo descoberto, chegar de 40 a 50º C as 13 horas. A cobertura protege o solo da erosão, evita o aparecimento de matos (plantas companheiras ou daninhas) além de servir como adubo com sua decomposição.

Cobertura morta: é uma camada de palha seca, palha de café curtida ou outro material que é colocada por cima do canteiro.

Esta camada serve para diminuir o crescimento das plantas daninhas(matos), conserva a água no solo, mantém uma temperatura no solo além de quando apodrecer é um adubo para as plantas.

Composto Laminar

Uma técnica utilizada no momento do plantio da cultura. É feito da seguinte forma:

1 - Prepara-se o canteiro ou área de plantio;

2 – Coloca-se as garrafas pet, cortadas ao meio, demarcando o local onde serão plantadas as mudas;

3 – Coloca-se esterco curtido ou fresco entre as garrafas pet, mais ou menos 1 cm;

4 – Por cima do esterco coloca-se uma camada de 4 cm de palha seca (qualquer palha, desde que seca e que se assente)

5 – Após este processo rega-se o composto e retira-se as garrafas pet e procede-se no plantio das mudas, o que também pode ser feito antes de fazer a compostagem, colocando as garrafas pet por cima das mudas, mas não esquecendo de tirar imediatamente após molhar.

Adubações

Além das adubações verdes em alguns casos, onde o uso do solo é constante, como na horticultura e quando os espaços são pequenos, faz-se necessário lançar mão de adubações extras como a vermicompostagem, estercos bovinos, ovinos, de aves, desde que curtidos ou em forma de compostagens.

Biofertilizante: é um adubo liquido que se utiliza para passar nas folhas ou no solo. Os ingredientes básicos são:

Ingredientes:

40 kg de esterco fresco de bovinos

100 litros de água

10 litros de garapa ou 5 kg de açúcar

5 litros de leite ou soro

4 kg de cinzas

10 kg ervas de cheiro forte

Modo de fazer:

Colocar todos os ingredientes em recipiente plástico (tambor), e deixar fermentar por um mês. Sendo que a cinza deve ser colocada em 4 vezes de 1 Kg cada vez, de 3 em 3 dias. Mexendo uma vez por dia.

Para aplicar como adubo diluir em 2/3 de água e regar os pés das plantas. Para pulverizar nas folhas usar uma concentração de 3 a 5%.



Compostagem: Compostagem é feita por camadas, sendo a primeira de palhas como cana-de-açúcar,  palha de café, ou outras a segunda camada com esterco de gado, galinha, carneiro...

E assim continua, sendo a terceira camada novamente com palhas a quarta com esterco, até formar uma pilha de mais ou menos 1,5 m, sempre molhando após cada camada.

Verificar a temperatura com um ferro, se conseguir segurar a temperatura está boa se estiver muito quente o composto precisa ser mexido e molhado.

Molhar ele quando ao apertar não escorrer água pela mão.

Outra ferramenta importante, da qual não podemos abrir mão é a homeopatia e juntamente com ela a radiestesia. Ela é usada amplamente para recuperação do solo, desintoxicação, devolvendo o equilíbrio e a vitalidade necessária para que possa gerar plantas sadias.



Controle das principais pragas e doenças



Controle de lesmas

CERVEJA COM ÁGUA AÇUCARADA

•      Colocar a noite, perto das plantas atacadas um prato raso com a mistura de cerveja e água açucarada.  Na manhã seguinte as lesmas estarão dentro do prato. Possibilita o controle mecânico, uma vez que esta associação apresenta-se bastante atrativa. 

•      Indicações: atrativos para lesmas.



CHUCHU ( Sechium edule Schnartz )

•      chuchu

•      sal

•      Colocar dentro de latas rasas como as de azeite cortadas ao meio, pedaços de chuchu. Adicionando sal. Esta mistura é bastante atrativa para lesmas e caracóis, possibilitando seu controle mecânico.



LEITE  

•      estopa ou saco de amiagem

•      água

•      leite 

•      Distribuir no chão, ao redor das plantas, estopa ou saco de amiagem molhado com água e um pouco de leite. Pela manhã, vire a estopa ou saco utilizado e  mate as lesmas que se reuniram embaixo.

Indicações: atrativo para lesmas.



Pulgões e ácaros

COENTRO  ( Coriandrum sativun ) 

•      folhas de coentro

•      2 litros de água

•      Cozinhar as folhas de coentro em 2 litros de água. Para pulverizar sobre as plantas acrescentar mais água, podendo a quantidade ser alterada em função dos resultados.

•      Indicações: ácaros e pulgões.



CONFREI ( Symphytum officinalei L.)

•      1 Kg de confrei

•      água 

•      Utilizar o liqüidificador para triturar 1 quilo de folhas de confrei  com água ou então deixar em infusão por 10 dias. Acrescentar 10 litros de água na mistura e pulverizar periodicamente as plantas.

•      Indicações: pulgões em hortaliças e frutíferas e adubo foliar.



MANIPUEIRA  

•      Manipueira é o suco de aspecto leitoso, extraído por compressão da mandioca ralada.

•      Para o controle da formiga utilizar 2 litros de manipueira no formigueiro para cada olheiro, repetindo a cada 5 dias.

•      Em tratamento de canteiro contra pragas de solo, regar o canteiro usando 4 litros de manipueira por metro quadrado, 15 dias antes do plantio.

•      Para o controle de ácaros, pulgões, lagartas, usar uma parte de manipueira e uma parte de água, acrescentando 1% de açúcar ou farinha de trigo. Aplicar em intervalos de 14 dias. 

Indicações: formigas, pragas de solo, ácaros, pulgões, lagartas.



PIMENTA-DO-REINO  ( Piper nigrum L. )  

•      100 g de pimenta-do-reino

•      60 g de sabão de coco

•      1 litro de água

•      Colocar 100 gramas de pimenta-do-reino em 1 litro de álcool durante 7 dias. Dissolver 60 gramas de sabão de coco em 1 litro de água fervente. Retirar do fogo e juntar as duas partes. Utilizar um copo cheio (250 ml) para 10 litros de água, fazendo 3 pulverizações a cada 3 dias.

•      Indicações: pulgões, ácaros e cochonilhas.



SABÃO E QUEROSENE

•      1 kg de sabão

•      3 litros de querosene

•      3 litros de água

•      Picar e derreter o sabão numa panela com água. Quando estiver completamente derretido, desligar o fogo e acrescentar o querosene mexendo bem a mistura. Para utilizar, dissolver 1 litro dessa emulsão em 15 litros de água, repetindo a aplicação com intervalos de 7 dias. No caso de hortaliças e medicinais, aconselha-se respeitar um intervalo mínimo de 12 dias antes da colheita.

•      Indicações: pulgões, ácaros, brocas, mosca-das-frutas e formigas.



SABÃO - 1

•      1 kg de sabão

•      100 litros de água

•      Dissolver o sabão neutro em 5 litros de água quente. Após isso dissolver em 95 litros de água.

•      Indicações: trips, pulgões, cochonilhas, lagartas.



Brocas de trocos

ENXOFRE, PASTA

•      Água suficiente

•      10 kg de cal virgem

•      2 kg de enxofre em pó

•      1 kg de sal de cozinha

•      Inseticida

•      Hidratar a cal virgem, colocando água aos poucos até formar uma pasta. Acrescentar o enxofre em pó e o sal de cozinha. Diluir convenientemente este preparado até formar uma solução, no momento da aplicação. Pincelar o tronco das árvores.

•      Indicações: brocas de troncos da árvores.



Doenças do tomate

LEITE - 1

•       1 litro de leite

•      3 a 10 litros de água

•      pulverizar as plantas. Repetir depois de 10 dias para doenças e 3 semanas quando aplicado contra insetos.

•      A mistura de leite azedo com água e cinza de madeira, é citado como efetivo no controle de míldio.  

•      Indicações: vírus de mosaico, cana, tomate, fumo.



PRIMAVERA / MARAVILHA ( Bougainvillea spectabilis / Mirabilis jalapa )

•      1 litro de folhas de primavera ou maravilha (rosa ou roxa)

•      1 litro de água

•      Juntar 1 litro de folhas maduras e lavadas de primavera ou maravilha (rosa ou roxa) com a água e bater no liqüidificador. Coar com pano fino e diluir em 20 litros de água. Pulverize imediatamente (em horas frescas do dia). Não pode ser armazenado.

•      Indicações: vírus do vira cabeça do tomateiro. Aplicar em tomateiros 10 a 15 dias após a germinação (2 pares de folhas) e repetira cada 48/72 horas até quando iniciar a frutificação.



Controle de qualquer tipo de praga

•      1 tampa de garrafa pet de óleo

•      2 tampas de detergente neutro

•      Completando o restante da garrafa pet de 0,5 l com água.

Ano de 2012

Pastoral da Saúde da Região de Ouro Preto do Oeste
O ano de 2012 começou com várias atividades do PROASA, entre eles estão palestras, formações teóricas e praticas em vários grupos. Dentre eles estão as Pastorais da Saúde da Regional de Cacoal e da Região de Ouro Preto do Oeste no Estado de Rondônia.

Outras formações ocorreram nos grupos de Agroecologia da Linha 14 e do setor Prosperidade do município de Cacoal. Ambos os cursos organizados pela Ong Banco Florestal.

Setor Prosperidade Cacoal
O tema norteador destes encontros foi "Agroecologia: teoria e praticas", frizando sempre a necessidade do cuidado com as praticas agricolas degradantes. Além disso assistimos, com os grupos o documentário de Silvio Tendler "O Veneno Está na Mesa".
Foram momentos de crescimento, de troca de saberes que enriqueceram  e só vem a agregar a agroecologia no Estado de Rondônia. 

Encontro de Mulheres em São Miguel do Guaporé
Linha 14 Cacoal




Agricultores se recusam a receber sementes do governo na Paraíba

 Na última segunda-feira (14) ocorreu o lançamento do Programa Governamental de Sementes no estado da Paraíba, no Sindicato dos Trabalhadores Rurais (STR), em Solânea. O evento promovido pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário e o Governo paraibano marcou a distribuição de sementes pelo Programa Brasil Sem Miséria, que prevê a distribuição em 13 municípios do estado. 
 Várias famílias agricultoras guardiãs das sementes da paixão estiveram presentes e levantaram o debate sobre os principais problemas que envolvem o programa, apontando todo o trabalho de organização das famílias em Bancos de Sementes Comunitários e por que elas não querem as sementes distribuídas pelo governo.
 
“A distribuição em larga escala de algumas poucas variedades de semente não adaptadas às condições ambientais e socioculturais das diferentes regiões repete o erro histórico dos programas públicos que em nada contribuíram para promover autonomia das famílias agricultoras. Além disso, seu caráter assistencialista e distributivista desvaloriza e desmobiliza as estratégias de autogestão comunitária de sementes aumentando a vulnerabilidade e gerando mais dependência dos agricultores em relação aos insumos vindos de fora”, afirma o documento lançado pela Articulação no Semiárido Paraibano (ASA), Polo da Borborema e AS-PTA.
 
 Os agricultores lutam pelo direito de continuar melhorando, pesquisando e conservando gratuitamente suas sementes nativas. As famílias montaram no evento um altar com a diversidade de sementes da paixão, sistematizações e mapas. No outro lado, mais sacos com sementes do governo e uma grande faixa: Cuidado – Sementes tratadas com venenos. Os trabalhadores colocaram luvas para, simbolicamente, denunciar o veneno das sementes que seriam distribuídas. Mas a mobilização fez com que as sementes retornassem para o escritório da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater), ao invés de serem levadas para o Sindicato dos Trabalhadores Rurais (STR). Será realizada, também, uma reunião para a construção da Política de Sementes crioulas com os órgãos do governo. (...)
 
 Organizações da Paraíba publicaram um folheto, Programas de Distribuição de Sementes – um rótulo novo numa garrafa velha, que está sendo distribuído no estado alertando os agricultores da importância do patrimônio genético manejado e conservado por eles. O fortalecimento dessas práticas auto-organizativas é essencial para a superação das condições de pobreza em que se encontra parcela expressiva das agricultoras (es) do semiárido, afirma o documento. (...)
 
Fonte: ANA – Articulação Nacional de Agroecologia, 14/03/2012.

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Homeopatia ferramenta importante na agroecologia

Nos dias 25 a 27 de novembro a Pastoral da Saúde de Cacoal e região realizou a 3ª Etapa de formação em Homeopatia. Foi um fim de semana enriquecedor e de muito aprendizado. As bases deste encontro foram: agroecologia e a relação com a homeopatia, as consultas do homeopata popular e iniciação em algumas homeopatias.
Os estudos aconteceram de forma dinâmica, permitindo o crescimento e aprendizado de todos. 
O curso transcorreu numa dinâmica de troca e de apoio mútuo, enquanto a Engenheira agrônoma Roseli contribuía com as praticas e ações agroecológicas, também lhe era proporcionado a chance de participar do curso de homeopatia popular, aumentando assim os conhecimentos e áreas de atuação.
Outro ponto importante foi o envolvimento do grupo na construção do encontro. Na dinâmica que vemos ao lado podemos observar a dinâmica do amarra pés. Onde inicialmente o caminhar é solitário, depois em duplas, com os pés amarrados e após amarra-se duas duplas, refletindo, assim a importância de caminhar juntos e também a necessidade de pensarmos juntos, construirmos juntos o caminhar, o que não é simples e fácil.
Podemos afirmar que foi uma construção do conhecimento em conjunto, onde todos cresceram e contribuíram com seus dons.

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Alto Alegre do Parecis PROASA presente


Grupo fazendo compostagem

Alto Alegre dos Parecis inicialmente não estava no rol dos município do PROASA, porém as familias se uniram, foram até o escritório do PROASA pedia a sua inclusão nas famílias do projeto. Após conversas, visitas e reuniões, resolvemos fazer este acompanhamento.
 
Com a ajuda da Emater local e a Secretaria da Agricultura do Estado(SEAGRI), forma feitas formações, práticas e visitas as famílias.
Grupo estudando o cadastro da propriedade
para certificação participativa
No último dia 23 de novembro estivemos, juntamente com a  SEAGRI e Emater, local fazendo visitas as familias a fim de capacitá-las e cadastrá-las no grupo de certificação participativa do Estado. Juntos, agricultores e nós, com certeza, faremos a diferença na produção agroecológica do Estado de Rondônia. 





terça-feira, 1 de novembro de 2011

I Encontro dos Projetos Diaconais apoiados pela FLD

      Nos dias 26 e 27 de outubro de 2011, realizou-se, o Primeiro Encontro dos Projetos Diaconais apoiados pela Fundação Luterana de Diaconia - FLD. A pauta do encontro foi extensa e importante para todos os projetos participantes. Na oportunidade realizamos o monitoramento das ações dos projetos em vários âmbitos, como comunicação, relações internas, comunitárias, paroquiais, sinodais, nacionais, elencando pontos positivos, dificuldades e ações que ajudem a minimizar as dificuldades e desafios de cada projeto e instituição.
         As experiências de projetos exitosos expostos no encontro serviram de estimulo aos projetos que estão iniciando suas ações, além de ser parâmetro para os passos futuros.

Apresentação da campanha contra o agrotóxico e a favor da vida
pela assessora de Projetos,
 Juliana da FLD

         A sustentabilidade dos projetos sociais foi outro tema de suma importância. Esta é a capacidade de uma organização para manter o valor social de seu trabalho de forma duradoura. Para melhor visualizar Dezir – Assessor Administrativo da FLD nos falou do tripé da sustentabilidade das organizações sociais, que engloba: SÓCIO-POLÍTICO: Vínculos com sociedade, Vida associativa, Modelo de governança & gestão, Credibilidade; TÉCNICO-GERENCIAL: Processos e ferramentas de gestão, Perfil e qualificação da equipe técnica, Sistema de PMA (Planejamento, Monitoramento e Avaliação), Metodologia de trabalho, Produção e difusão de conhecimento; FINANCEIRA: Mobilização de recursos, Racionalização no uso de recursos, Geração de recursos próprios, Gestão administrativa e financeira, Prestação de contas. Percebemos que um dos fatores da sustentabilidade é o econômico e que, se os demais fatores forem gerenciados de forma séria, poderemos atingir a sustentabilidade.
Roseli, apresentando as ações do PROASA 
         O lançamento da campanha “contra os agrotóxicos e a favor da vida” foi realizado no segundo dia, e juntamente apresentou-se o Projeto de Agroecologia do Sínodo da Amazônia que atua na região central do estado de Rondônia como uma alternativa de agricultura sustentável e livre destes contaminantes que dizimam a vida.

    

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

O desenvolvimento sustentável na Amazônia

A região amazônica, por sua imensa biodiversidade e sua exuberância, aparenta ser composta por terras muito férteis e cultiváveis, sem restrições ao seu uso, mas quando retirada à mata, sua capacidade de produção não dura muito, principalmente devido ao uso do fogo, o qual queima toda matéria orgânica presente no solo, deixando-o descoberto e vulnerável às chuvas e ao sol. Sua capacidade de produção depende da reposição de matéria orgânica, de nutrientes essenciais e da correção da acidez. Portanto, sem um devido manejo a produtividade dos solos amazônicos, a médio e longo prazo fica comprometida.
“O desenvolvimento amazônico não é possível na base de culturas importadas do Sul ou de outros países, mas somente a base de sua riqueza florística, que por enquanto, parece incalculavelmente rica” (PRIMAVESI, 2002, p.523). Isto significa que, para o desenvolvimento da região deve-se fazer uso das riquezas locais, adaptando técnicas de cultivo e cultivares locais, o que falta é simplesmente uma adequada política agrícola que favoreça a industrialização da produção.
Manter a capacidade produtiva de um agroecossistema, sem destruí-lo, ou sem desequilibrá-lo completamente, é algo quase impossível para os cientistas convencionais, mas para agroecólogos isto é possível mediante um devido planejamento das atividades a serem desenvolvidas e o manejo adequado dos recursos disponíveis, mantendo entre os mesmos uma dinâmica de dependência.
Quanto ao Estado de Rondônia, o seu desenvolvimento deve conciliar produção com preservação ambiental, representando uma estratégia para o combate à crise social e econômica (COSTA, 2003).
Pesquisadores e instituições estão se ocupando com o estudo de sistemas viáveis, para o combate à crise no setor agrícola. Nesse sentido, Zanetti (2005), enfatiza que uma agricultura sustentável deve ser holística, isto é, trata a produção agrícola como parte integrante de um todo composto de elementos como solo, plantas, animais e insetos em que as interações podem ser ajustadas e enriquecidas a fim de equilibrar e otimizar a produtividade. Agricultura sustentável é científica, pois ela se sustenta em conhecimento sobre os elementos do ecossistema e suas interações para alcançar seus resultados.
Para viabilizar este sistema sustentável, Zanetti (2005) sugere três linhas de ação:
1. renovação tecnológica das atividades econômicas de reconhecido impacto ambiental;
2. modernização e dinamização das atividades tradicionais ecologicamente sustentáveis; e,
3. desenvolvimento e implantação de novos ramos e atividades com potencial econômico e de sustentabilidade.
Assim, certamente, serão necessárias práticas e políticas agrícolas adaptadas à realidade amazônica. Tecnologias, estas, indispensáveis ao desenvolvimento da região, mas devem ser acessíveis e adaptáveis a cada micro-região, como é o caso da região da Zona da Mata, foco deste estudo.
Todos os cultivos na região amazônica, principalmente a formação de pastagens devem evitar o monocultivo devido à extrema suscetibilidade a pragas e doenças. O polifitismo amazônico deve ser mantido rigorosamente para evitar os perigos da multiplicação unilateral de alguns insetos ou microorganismos, que neste clima é explosivo. No que se refere às pastagens, os sistemas silvo pastoris são uma das principais saídas, introduzindo capins e leguminosas, que, além de servirem como fixadoras de nitrogênio atmosférico, são uma rica fonte de proteína para o gado (PRIMAVESI, 2002, p.516).
  Desenvolver novas atividades é outro desafio importante a ser seguido. Nestas se incluem práticas como os consórcios agroflorestais, sistemas silvopastoris, cultivos em consórcio entre outros. Para Primavesi (2002, p. 523) todas as técnicas usadas na Amazônia devem seguir a seguinte orientação:
1.            Manter o solo com uma estrutura física favorável, para que as plantas possam desenvolver-se sem nenhum impedimento. Sem uso do fogo, que provoca o adensamento do solo, vitrificando os solos arenosos e repelindo a água em solos argilosos;
2.            Manter o solo sempre com alguma cobertura e evitar o preparo tradicional com arado e grade por exporem o solo ao sol e a chuva;
3.            Usar culturas adaptadas a região as quais conseguem absorver os nutrientes do solo e que estão adaptadas ao clima;
4.            Manter sempre um nível bom de matéria orgânica;
5.            Usar termofosfatos magnesianos ou fósforos naturais na adubação, se esta for necessária;
6.            Não plantar áreas muito grandes, protegendo os plantios contra os vento e a radiação solar. As áreas ideais são de 0,5 a 1,2 hectares. 
Portanto, observamos que o desenvolvimento rural sustentável pode ser possível mediante o uso e implementação de técnicas adequadas a cada região, bastando aos centros de pesquisa vontade política e científica de aplicar suas pesquisas na propriedade, incluindo o saber popular e o científico.
Urge uma mudança nos moldes atuais de agricultura, pois as conseqüências do mau uso dos recursos naturais já estão ficando visíveis.